quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Como ser invisível? - Parte II

Poema ruim, mas que sintetiza bem a situação...

"Dizendo coisas que não devia
Eu acabei queimando fichas demais
Sobretudo agora, que as luzes começam a apagar

Como tantos pecadores, de boas intenções
Uns menos nobres que outros...

Lutei por causas que julguei justas
Para depois entender que na vida
As vezes, boas intenções não são tudo..

Mesmo que eu tivesse dito... sem pensar
Ainda teria me arrependido depois
Kierkegaard, pelo menos, me daria razão
Idiotas existencialistas sempre se entendem..."



Segunda feira meu telefone morreu.
A bateria acabou no meio da aula, me forçando a prestar atenção unicamente no professor.
Se ele era ruim?
Longe disso.

Na realidade, acho uma de minhas melhores matérias.
Mas eu estava consumindo um belo placebo no Moto G, e gostaria de poder experimentar todas as sensações referentes a isto.

No fim das contas, eu estava numa sala cercado por (facilmente) mais de 60 pessoas, numa cidade de meio milhão de habitantes... me sentindo completamente alheio a tudo.

Vamos supor que eu tivesse um AVC e morresse ali mesmo.
Todos ficariam chocados, haveria uma certa comoção, eu viraria tipo uma lenda urbana da faculdade (o que eu vejo como algo bem legal - mas não vem ao caso), um bom amigo carregaria meu caixão (porque promessa é dívida), e... só.

Naquela hora percebi que você nem saberia que eu morri.
Nem o que eu senti. Nem quais foram minhas últimas vontades.
Você não saberia sequer as coisas que eu desejei te dizer - e não teria mais oportunidades.

Eu sumiria... Seria só uma lembrança, que você iria superar depois de (pouco) tempo.
Então, resumindo, percebi como era irrelevante... E nada mudaria aquilo.

E o que eu senti não foi desespero, dor, algum tipo de insegurança... Foi uma coisa pior.

Foi a sensação de conformismo.

Por um breve momento da minha vida, a única coisa que me vinculava a algo importante era a bateria do celular. Fosse uma fotografia, uma mensagem antiga, um e-mail na caixa de rascunhos nunca enviado.

Segunda feira voltar pra casa foi mais difícil. Na terça também foi.

Boa madrugada...

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