sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Sobre fetiches, saudades e uma década perdida


Não vou te culpar por não acreditar em nada do que eu digo.
Eu confesso que no seu lugar, eu também seria um descrente.
Mas eu só queria contar que, pelo menos pra mim, você sempre foi muito mais que uma ideia.

Você sempre foi mais que voz, corpo e vestido.

Sinto falta da sua presença de espírito, do seu temperamento, do seu jeito modo de falar.

De como você articulava seus pensamentos e de como conseguia, muitas vezes, me convencer de coisas que nunca iria cogitar.

Sinto falta da sua doçura, de seu carisma e da sua prudência.
Sinto falta da sua inocência, do seu recato e da sua timidez.

E de como eu precisava de pouco pra te fazer corar.

Sinto falta da sensação de receber uma carta sua - e o alívio de poder ler.

Hoje, quase uma década desde que nos conhecemos, percebo que ainda somos estranhos.

De almas tão jovens - e tão gastas.
Infâncias rotas e adolescências angustiadas.

Se você ler isso, não se foi (ou se é) amor.

Mas durante muito tempo me completou.

E não importa o quanto pareça bobo, o fato de que eu te ache muito mais linda com suas lentes no rosto.

Não tenho fetiche por óculos.
Não.
Meu fetiche - em verdade - sempre foi o brilho escondido atrás dessas lentes.

Eu queria ser pra ti um bem maior que seus comprimidos.

Durma bem essa noite, meu doce...

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