E com a licença adequada, ouso afirmar que ele morreu com esse, de 2014.
No estio de dois anos atrás eu descobri que estava perdendo.
Perdendo uma briga que eu tentei evitar por anos.
E que estava levando muito mais que meu orgulho.
Estava levando - de certa forma - minha capacidade de viver.
Eu sai da clinica desolado, me sentindo uma enorme pilha de lixo.
O sol estalava de tão quente no começo de tarde, e eu não queria que ninguém me visse chorando.
Então,cobri cabeça com o capuz da jaqueta e atravessei metade do centro a pé.
Eu nunca poderia admitir - não naquela hora - mas a única coisa que eu queria era que alguém falasse comigo. Que perguntasse o que aconteceu. O que eu estava passando. Que mentisse pra mim, dizendo que tudo iria ficar bem.
Eu entrei no primeiro ônibus que passou.
Não vi qual era o destino - no fim, todas as estradas levam ao mesmo lugar.
Ele estava vazio.
Eu me sentei atrás dos bancos altos, porque não queria que mais ninguém me visse ali.
E por aquelas coincidências do universo, aquele banco alto era o único que trazia algo escrito.
Eu não entendi na hora...
Não sabia muito bem se era só uma brincadeira de colegiais felizes ou se era a vida tirando sarro da minha cara.
Mas eu fotografei aquilo.
Porque um dia eu esperava olhar pra essa imagem e sorrir.
E nesse dia, eu não ia me sentir mais tão desprezível a ponto de ser invisível.
Faz muito tempo que eu olho essa foto e me sinto um derrotado.
Mas adivinha só, o que aconteceu hoje, quando eu olhei pra ela?
É.
Eu sorri.

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