terça-feira, 2 de setembro de 2014

Quando uma banda marca sua vida

Vou falar de uma coisa que eu gosto pacas... Música.


Sabe aquela música que marca um determinado momento da sua vida?
Pode ser aquele aniversário inesquecível, a primeira medalha numa competição, uma viagem inesperada, o primeiro beijo - ou a primeira vez rs - o primeiro amor... ou o primeiro "fim"... Sabe?

Todo mundo tem uma não é?

Bem... não posso dizer que tive uma música que marcou minha vida... Porque seria injusto com tantas...
Mas sabe, posso dizer com segurança que se alguém participou efetivamente dela, com certeza, foram os caras do Angra. Não com uma canção... mas, de forma realmente ativa, com toda sua discografia.

O Angra com certeza foi a trilha sonora da minha vida.

Hoje a banda já tem seus 23 anos de estrada (três a menos que eu) e já tem 7 álbuns de estúdio.

Me lembro dos meus 16 anos, lá em 2004, quando ouvi Wuthering Heights, no meio de uma sessão de RPG. Só pra constar... sempre achei a música ridícula, com um clipe sofrível, mas aqueles caras... deram um peso diferente pra música, uma repaginada total... e olha... não é que tinha ficado bom?

No mesmo dia peguei toda a discografia com um amigo, levei pra casa e comecei a ouvir.

Carry On foi amor a primeira vista. Carry On foi inclusive, meu primeiro toque de celular (isso em 2007)!
Stand Away, Streets of Tomorrow, o Angels Cry inteiro foi meu momento de descoberta! Meu primeiro CD de Metal já era aquele monstro.

Depois fui por partes, avaliando cada um deles. Holy Land, Fireworks, Rebirth, Hunters and Prey, Temple of Fucking Shadows - e parava por aí.

Quando saiu o Aurora, em 2006, não resisti e peguei via MSN (putz, que velho) com um amigo meu o CD inteiro (na época da internet discada!). Torci feio o nariz pro álbum e... voltei pro Temple.
Em 2010, a mesma coisa com a Aqua e... Enfim...

O fato é que eu não acompanhei o Angra de forma "fiel" em seu começo de carreira - até porque, temos quase a mesma idade. Comecei a gostar de música ouvindo Punk e Pop Rock Nacional, então nunca fui muito ligado em coisas como o Metal e suas vertentes.
Quando eu estava um pouco mais "maduro" musicalmente, tive o prazer de conhecer essa joia rara da nossa música. E com certeza, foi melhor assim. Eu não sei se teria dado o devido valor a algo que era tão rico - e tão "alienígena" pra mim - se tivesse conhecido anos antes.

O legal é que após isso, o Angra grudou como chiclete na minha vida. E mesmo não sendo a minha banda "favorita do momento", era sempre um hit dos caras que embalava, de forma quase mágica, minha trajetória.

Algumas músicas me marcaram de forma realmente profunda.
Carry On falava comigo diariamente quando as primeiras crises de depressão apertaram.
Make Believe foi a motivadora de algumas das minhas decisões mais sofridas (e o motor que me levou pra frente quando o mundo todo empurrava pra trás).
Fireworks... A música que marcou meu relacionamento mais duradouro - e curiosamente, Gentle Change me ajudou a jogar uma pá de cal em cima de tudo.
Runing Alone... e meus primeiros passos sozinho... primeiro emprego e primeiras cacetadas hahaha
Late Redemption... me ajudou a entender com mais sinceridade a minha forma de teorizar (e acreditar) em Deus.

E quando eu me afundei de novo nos meus problemas, num dos períodos mais negros da minha vida... Aurora Consurgens. Sim, Aurora!

Era sombrio, cru, visceral demais pra que eu entendesse lá em 2006... Mas em 2013... fez todo o sentido.
Salvation: Suicide, Ego Painted Grey, Window to Nowhere... E principalmente So near, So far...
É engraçado como... eu precisei amadurecer e então ver que... aquilo falava diretamente comigo. 
A "concha" do Aurora... aqueles disco de Power Prog (?) Metal... no fim das contas, eu também estava vivendo numa concha.

Depois de todas as trincas na minha concha, de todos os socos e chutes levados (e distribuídos) na vida... depois de quase perder a fé em tudo... eu decidi, só por curiosidade, ouvir Angra um dia... e dar um chance pro Aqua... o patinho feio da vez.

E descobri que, poxa, esses caras não sabem só se reinventar... Eles tem a capacidade de preparar presentes que vão florescer na hora certa... pelo menos pra mim.

O álbum é todo inspirado na (talvez) última peça de Shakespeare, "A Tempestade". Como tudo Shakespeariano, fala de dor, inveja, raiva, vingança e... amor, esperança e redenção.

E o mais legal é que isso tudo só me tocou porque, um dia, eu decidi ouvir uma música executada pelo guitarrista Rafa Bittencourt (e não pelo vocalista de fato).
O brain worm da vez é "A monster in her eyes".

Como eu disse lá no começo... Sabe quando parece que o cara está compondo... só pra você?
Acho que desde moleque o Angra vem fazendo isso comigo... Participando ativamente da minha vida, embalando os bons e maus momentos... e o mais importante, amadurecendo junto comigo.

É tempo de reconstrução pra banda... que vem com batera e vocal novos.
É tempo de reconstrução pra mim também... que ainda estou decidindo o que fazer da vida...

Só sei que estou esperando que esse álbum arrebente. Que seja positivo, que seja feroz, que seja vibrante!
Espero que tenha aqueles "socos na cara" que te deixam pilhado, refrões grudentos e riffs que vão derreter meus tímpanos. Que tenha uma baladinha, pra eu me sentir romântico e poder ouvir abraçado com alguém (tenho uma candidata???). Quero alguns solos fritados, e outros que toquem lá no coração...

Mas que acima de tudo, seja pra cima!

Eu estou trabalhando aqui por dias melhores. E quero que vocês continuem embalando minha história.

Muito obrigado por fazer parte da minha vida Angra. Vocês são demais.

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