quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Fantasmas no meu quarto - Parte 1
Estou retomando o hábito de postar aqui "quase" diariamente.
E hoje vou abrir espaço pra uma nova série, que será praticamente uma cirurgia.
E sem anestesia.
Vou falar sobre fantasmas que dividem o dia comigo, pendurados nos meus ombros, drenando um pouco da minha energia.
Há alguns anos atrás, eu fui uma pessoa muito mais confiante. Sabe, eu conseguia ser menos patético do que sou hoje.
Eu conseguia não me sentir intimidado todas as vezes que alguém passava ao meu lado.
Eu era muito admirado pela minha auto confiança, pela segurança que tinha (e transmitia).
Mas depois de certos eventos, tudo aquilo virou farelo.
Não consigo mais me olhar no espelho e me sentir bonito. Nunca fui bom em tirar fotos, o próprio hábito de fazer "selfies" sempre foi penoso pra mim. Porém, nos últimos tempos, isso tem ficado ainda pior.
As vezes penso em mudar o guarda roupa. Comprar algumas coisas diferentes, variar um pouco.
Mas quando eu vejo qualquer coisa no meu corpo, tudo parece ruim. E o que não parece ruim, parece ridículo. Então, vou repetindo as mesmas velhas roupas (elas eu já sei que ficaram ruins). Estou me acostumando a não olhar para espelhos, a passar o dia todo sem olhar meu próprio reflexo.
E de toda essa insegurança, nasce o ciúmes. Que, acredite, é muito mais danoso para mim do que para a pessoa / objeto para a qual se destina.
É horrível não se sentir digno de respeito. E de confiança. É uma dor excruciante olhar pra si mesmo e não se sentir digno de afeto e de cuidado. Mas esse é um fantasma de outro texto, num futuro qualquer.
A inércia te arrasta pra dentro de você mesmo, pra um lugar cada dia mais escuro, mais frio, mais solitário.
É lá que mora o fantasma.
Todo dia ele abraça meu pescoço. Todo dia ele cola sua boca no meu ouvido e me descreve tudo em que eu não fui perfeito.
Todo dia ele me compara as pessoas que passam pelo caminho.
Me mostra como eu sou mais pobre. Mais feio. Mais inepto. Mas fraco. Mais covarde.
Menor. Pior. E eu não quero ouvir. Então ligo os fones de ouvido e aumento o volume. Até quase explodir os tímpanos.
Mas não adianta. A vozinha irritante do fantasma entre pelos meus poros e se entranha sem eu pedir.
As vezes eu sinto vontade de chorar.
De não sair mais de casa. Como nos fins de semana, que eu passo trancado no quarto.
Eu queria me sentir confiante de novo.
Eu já pedi pra ele me deixar em paz. Mas acho que o fantasma não vai embora.
Então, eu vou convivendo com ele.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário