Me lembro da sensação claustrofóbica do Plug de entrada.
Dos infinitos espaços vazios na cidade, da sensação constante de desamparo.
Me lembro, em especial, da sensação de solidão.
Acho que a característica que mais me cativou em Evangelion foi isso.
A solidão que envolvia todos os personagens.
Eles estavam sozinhos. Eles permaneciam sozinhos.
Mesmo quando dividiam uma cena, eles permaneciam... sozinhos.
Eu me sentia como eles. E isso fazia com que eu amasse cada um daqueles estereótipos.
Eu sempre vi as pessoas criticando Evangelion por conta de seus personagens. Diziam que eram chatos, entediantes, fracos demais.
Mas... não é isso que é "ser" humano?
Ser patético a ponto de precisar do outro?
Ter medo de não ser capaz de ser desejado por alguém como se é?
Ter vontade de se sentir precioso, apreciado, insubstituível?
Não só como um instrumento. Mas como alguém único
Ser reconhecido como alguém valioso - mesmo sustentando o peso de todas as idiossincrasias.
Platão afirma que a interação física é o primeiro degrau na busca pela realização plena.
Schopenhauer define que toda a "vontade" advém em um impulso sexual.
Freud reforça essa ideia quando diz que a vida é simplesmente a busca do "não sofrimento" - do prazer.
Mas
só Lacan transforma isso em poesia, quando diz que o sofrimento começa
no medo de não ser capaz de ser o protagonista do amor do outro.
No fim das contas, todo mundo tem medo da solidão.
Mesmo o fim do mundo não é ruim quando você tem alguém que te goste. Quando você se sente amado.
Se você for próximo de alguém, mesmo que você morra, algo de você permanecerá.
A solidão é o fim de tudo.
É o silêncio que oblitera seu corpo e sua memória.
Tudo que você foi - e que poderia ser na memória de alguém.
Mas não é.
Evangelion escancarou tantas coisas... que levaria horas para dizer todas elas.
Mas a primeira grande descoberta pessoal foi, sem dúvida, a verdade mais sincera sobre mim.
Eu estou me sentindo sozinho agora.
E isso dá medo.

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