Os olhos estão inchados
Vermelhos
A boca salgada
Na garganta, um nó
Nós
Nós achamos que seria fácil
Mas não é
Nunca foi
Os bêbados lá fora
Com suas músicas
Vulgares
Zombam de mim
Zombam dos nós
Que não aprendi a desatar
Nós que prendem
Arame farpado
Que rodeia o coração
Nós que lutamos
Nós que (nos) ferimos
Quando queríamos
Ajudar
A desatar os nós
Nós
Que prendem pedras
Nos pés
Que nos puxam até o leito
Puxam nós
Nós na garganta
Que ejetou palavra errada
Para dizer o que
De certo
Nós sentimos
Porque nós não somos perfeitos
Nós somos pedaços
Defeitos
Somos o que pudemos ser
Se nós pudéssemos voltar
Atrás
E desatar a carga
E a mágoa
Dos corações
Nós seríamos um só
Desculpe esse nó cego
Que não encontra o fio
O trilho
Mas que não sabe ser "eu"
Porque "eu" sem "nós"
É nada
É só.
Desculpe

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