segunda-feira, 14 de março de 2016

Vidro


Se Lacan é o componente sombrio da psicanálise, a escola britânica traz um pouco de luz a metaciência.
Donald Winnicott, Wilfred Bion e (principalmente) Melanie Klein são os expoentes da escola inglesa.

Diferente da escola lacaniana, que é áspera e obscura, os teóricos do Reino Unido possuem uma visão humanizada, calorosa, positiva sobre a natureza humana.

Eu tenho lido muito sobre Klein.

Sua teoria atinge o clímax em um momento maravilhoso da existência humana.
A perda.

A perda conduz ao luto.
No luto, o sofrimento faz com que o ego comece a reconstruir o mundo interior.

Mas essa reconstrução só é possível graças ao primeiro sentimento de amor, internalizado na relação com a mãe nos primeiros dias de vida.
É o amor (e não o desespero) que transformam a dor em algo sublime.
É o amor sentido nos primeiros dias de vida que te tornam humano.
Sem o amor, nada pode ser regenerado. Sem amor, nada existe.

E eu pensei em mim.

Minha vida foi uma marca constante de rejeição.
E esse amor (que eu deveria experimentar) não está marcado aqui dentro.
Nem poderá estar.

Não é possível voltar atrás.

Não há nada que possa ser feito.

Como um castelo de vidro, as rachaduras ficarão evidentes para sempre.
Até o dia em que o peso faça tudo desmoronar.
E não haverá o que reconstruir.

Eu desejo que acabe logo...

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