sexta-feira, 8 de abril de 2016
O poema que escrevi pra você
Eu escrevi um poema pra você, meu amor.
Mas ele era tão bonito e tão íntimo, que não merecia ser publicado.
Talvez ele ganhasse um prêmio um dia - ou não.
Talvez com ele eu largaria o estágio e seguiria carreira publicando poesia.
E conheceria o mundo. E veria o sol nascer e se pôr.
Em outros horizontes. Belos horizontes.
Meu amor, eu te escrevi um poema tão bonito, que me fez chorar.
Ele falava da separação inevitável, voluntária ou não.
Do fim que se aproxima a cada dia. Que nos afasta a cada instante.
Milímetros. Momentos. Pautas numa folha de caderno.
Como fagulhas crepitando numa fogueira.
Meu amor, eu escrevi um poema que apaguei.
Porque eu não queria encher teus olhos estreitos com lágrimas
tantas quanto Deus encheu o céu de estrelas.
Eu não queria inundar teu peito com lágrimas
que choveram de um céu estrelado de Abril.
Ele falava de um mundo onde você me deixou.
E evaporou aos poucos, sem ao menos se despedir.
Mas um pouco de você ficou em mim.
E eu ainda te enxergava aqui e ali, cobrindo o sorriso.
E ainda sentia o sândalo do perfume na camisa amarrotada.
No começo do fim dessa semana tão difícil.
Onde eu devo ter perdido bons dois quilos e bebido
bons litros de café e dormido menos do que devia.
Eu apaguei o poema que escrevi pra você.
Mesmo sendo (talvez) a coisa mais bonita que eu faria.
Porque eu me recusei a imaginar alguma beleza.
Num mundo onde você não existia.
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