Não assisto mais jornais. Tenho perdido o interesse em política, economia, tecnologia...
E isso tem acontecido de forma tão natural que... enfim... Acho que deveria ser assim mesmo.
A algum tempo eu me incomodava quando uma fatura vencia ou alguma obrigação acabava atrasando.
Me incomodava perder aulas na faculdade.
Na verdade, me incomodava não ser o melhor em absolutamente tudo que eu fazia.
Mas hoje eu quero mais que se foda. Literalmente.
Não interessa quando a conta vence.
Tem dinheiro na conta? Que bom.
Não tem? Que pena.
Antigamente eu nutria uma expectativa incrível quando conhecia pessoas.
Achava que todos éramos únicos, especiais ao nosso próprio modo.
Mas você acaba se amargurando quando percebe que temos muito mais em comum do que se imagina.
E não são bons aspectos em comum - na verdade, somos uma somatória de tudo que é ruim, temperados com algumas coisas boas.
Com 25 anos, um emprego excelente, uma vida relativamente confortável e um futuro cheio de possibilidades, a única coisa em que eu consigo pensar é que... eu fui um fracasso ululante.
Por alguns motivos em especial, tudo que eu conquistei não me traz satisfação alguma.
Só uma angústia que não cabe no peito.
E o que mais me dói não é o gosto do fracasso, o fardo derrotista, a miséria de ter sido insuficiente.
O que me incomoda é o arrependimento.
De todas as decisões erradas nos últimos 10 anos.
Se a criança que eu fui aos 7 anos pudesse me ver hoje, certamente teria se decepcionado com o que acabaria se tornando.
Queria ter mais amigos,sabe?
Mas o mundo esta cheio de gente idiota.
A começar por mim.

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