segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Ela é perfeita;




Ela é perfeita;
Desde sempre eu acho isso. Sério.
Quando ela escondia o rosto e se esquivava da conversa. Naqueles trejeitos de menina recatada. Quando falava sobre calçados e sobre música pop. Ou quando me abria seu coraçãozinho de criança.
Ela não liga pra minha conta bancária. Nem pro fato de que eu esteja prestes a declarar falência. Sei lá, ela não se importa muito com isso, parece que aproveitar um dia de sol já é o suficiente. Ou um dia de chuva, olhando pela janela.
Ela não se importa se minha camisa está amassada, ou se meu cabelo está despenteado. Geralmente, ela bagunça tudo mesmo. E também não parece prestar atenção nas botas de motociclista, que eu engraxo com cuidado. Ou na camiseta do Led Zepelin, que eu guardo pra usar só quando estou com ela. Ela diz que gosta dos meus olhos, e isso faz eu me sentir mais bonito que o Brad Pitt.
Ela se preocupa com minha vida. E as vezes sabe mais dela do que eu. Fica aflita quando eu torço o pé de leve, e fica brava quando me machuco praticando algum esporte. Puxa a minha orelha pra que eu coma direito, e reclama quando eu deixo de dormir. Ela é quase minha mãe.
Ela tem uma rotina difícil, e tem seus próprios problemas.
Mas ela sempre arruma um tempinho pra cuidar dos meus. E dos outros ao redor dela. Ela é dócil e tem uma voz suave, que poderia fazer um anjo sentir vergonha dos próprios tons.
Ela é a criatura mais feminina que eu já vi. E quando caminha descalça pelo quarto, na ponta dos pés, eu me sinto hipnotizado. Eu amo te ver mexendo no cabelo, deixando sua nuca a mostra. Ou manuseando qualquer coisa. Ela tem mãos pequenas e delicadas, que eu adoro sentir segurando meu rosto. E quando ela coloca aqueles braços em volta de mim, o tempo – literalmente – para.
Sua boca é pequena e delicada, contornada com a sutiliza do nanquim e pintada com um rosa tão sutil... e tão convidativo. E seus beijos inocentes, que oferecem pra depois tirar, no seu joguinho de tortura pessoal. No fim das contas, ela ainda é uma moleca.
Ela é inteligente e prestativa e adora se auto depreciar. Mas tem um coração de ouro. Ela escuta os meus lamentos, meus medos e meus sofrimentos e me suporta quando o meu mundo está desabando – mesmo quando o dela já caiu.
Ela é guerreira, é uma monstra sagrada. É uma das pessoas mais fortes que eu conheço. Ela é a minha melhor amiga, e a melhor namorada que eu já tive. Feliz é homem que terá o privilégio de ser seu esposo. E seus filhos terão uma mãe exemplar.
E é tudo isso, mesmo sendo infantil, teimosa e inconstante.
E essa maravilha que se desenha em sua silhueta, passa por seus sorriso lindo e descansa tranquilo, naquele coração. Mas as vezes escapa, por entre aqueles olhinhos puxados que escondem o infinito.
Ela é perfeita. Mas acho que ela não sabe disso. E é bom que continue assim.
Porque é a única forma de alguém tão bom dividir sua vida com um qualquer como eu.

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