"Não ser amado é falta de sorte. Mas não amar é a própria infelicidade."¹
Ela gosta de água. Eu de fogo. Ela de praia. Eu de montanha. Por isso somos perfeitos.
O que é o amor?
É o desejo daquilo que você não tem.
Daquilo que seu coração não conhece, mas sente-se saudoso.
É um vazio que se nota daquilo (e daquele) que não se encontra. Ou desencontra.
É o vácuo que segura tua mão quando a mão que você queria segurar já acenou um "até breve".
O amor, meu querido, é falta.
O amor está sempre além daquilo que o seu "amado" pode oferecer.
O amor é o que existe nesse confim. E o que se esconde nesse horizonte, senão um enorme vazio?
Nada. Um perene e silencioso vazio. Mas que se transfigura.
Que se torna, por si só, a razão da tua convicção.
O amor é aquilo que te sustenta quando tuas pernas não o fazem mais.
Que te guia quando a visão turva. Quando a vontade vacila.
Que te fornece a força necessária para suportar o além.
Que te transforma em algo que você não é.
Que te reconstrói melhor que antes.
De novo e de novo e de novo.
Na medida do necessário.
E o que é amar?
Amar, meu querido, é dar aquilo que você não tem.
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Quando se julgar indigno do amor de outrem, lembre-se disso.
Talvez o outro já veja em ti tudo isso que você ainda não é.
Dedicado a uma pessoa especial, de olhos puxados e sorriso tímido.
¹A primeira citação é de Albert Camus.

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