quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Erros de interpretação


"So I must, let us break free
I can never be what you need

If there was a way, through the hurt then

I would find it.
I take the blows.
Yes I would fight it... but this is the one.
Impossible dream to love.

What am I, If I can't be yours"



Essa é oficialmente a última música de Evangelion. Devo tê-la ouvido quando tinha meus 15, 16 anos. Apesar de achar a adaptação lindíssima (a letra foi composta sobre um arranjo orquestrado que compõe a trilha sonora da obra), sempre me senti deslocado em relação a ela.

Era o tipo de música perigosa. Sempre pensei nela como uma declaração de amor velada, amarga, cheia de sofrimento. Usei ela pra declarar meus sentimentos a uma pessoa no fim da minha adolescência... E... até hoje ela continua sendo relevante.

A última estrofe (citada no começo do verso) sempre foi pra mim uma espécie de carta de alforria.

"Não dá mais. Lamento. Eu vou embora, porque isso é muito mais do que eu aguento."

E de fato foi.
Eu me declarei, e sumi.
Covarde, eu sei. Mas precisava.

Hoje eu escutei essa música durante algumas horas.

E acabei percebendo um erro de calculo. Ou de paralaxe. Um erro de interpretação.

A última estrofe não é um verso de despedida. Não é uma forma de dizer "até breve", muito menos de acabar um romance.

É o contrário disso.

É uma forma de dizer: "Vem comigo. Vem comigo e eu vou fazer das tripas coração pra ti. Vou fazer por você o que ninguém faria. Parece impossível. Parece difícil demais. Mas eu VOU FAZER. POR VOCÊ. Porque eu só existo assim.
Parece impossível. Mas o mundo sem "nós" não tem graça."

Hoje eu estou aqui, quase na casa dos trinta.
E usando essa musica de novo, pra me declarar.

Dessa vez, espero que ela entenda a mensagem.

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