sábado, 14 de fevereiro de 2015

Relatividade



Você gosta de relógios.
Então deixe lhe dizer algumas poucas linhas sobre tempo.
Enquanto você lê essa mensagem, você nasce e morre.
Sim. Enquanto você lê essa mensagem, nós nos encontramos num fórum, você desliga o telefone na minha cara e depois de uma década, eu te abraço forte pela primeira vez.
Enquanto você lê essa mensagem seus filhos nascem, seus netos nascem, você ri e chora por cada ganho e perda da vida.
Seu destino, minha querida, já foi traçado. Já foi riscado e está sendo executado agora.

Sabe por que?

Imagine um grande rolo de filme. Os negativos estão enrolados, sobrepostos uns sobre os outros. Cada frame desse rolo é um instante congelado no tempo. No começo do rolo temos o princípio de tudo. Na última miniatura, o fim da eternidade.
E perdidos entre essas duas extremidades estão fragmentos de segundos do dia em que El Cid defendeu Madri. Sobreposto a instantes da derrubada do muro de Berlim. Que se sobrepõe a um recorte da Hiroshima, às 08:15 AM do dia 6 de agosto. Que se sobrepõe ao instante em que você beijou seu primeiro amor, na chuva, pela primeira vez.

Tudo ocorre simultaneamente. Tudo.

As dores do seu passado – e tudo pela qual você se culpa e se zanga – não podem ser mudadas. Bem como o seu futuro já está sendo desenhado. Seja ele bom ou mau.

O que te sobra é o presente.
É o ser feliz agora.

Nesse exato momento, o universo e a vida estão acontecendo lá fora.
E acontecendo aqui, nesse quarto, enquanto você lê esse texto.

Você não tem antes nem depois.

Só tem agora.

Não deixe as dores de ontem e a incerteza de amanhã tirarem o seu prazer de viver – e de aproveitar – os seus amores de hoje. O momento cravado no tempo e espaço. O agora.
É seu.


Sua única oportunidade real de ser feliz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário