terça-feira, 21 de abril de 2015

Inverno



Nasci numa terça feira fria, no meio de julho.
Era o ápice do inverno, que sempre castiga a minha cidade natal.
A temperatura chega sempre próxima de zero.

De lá pra cá, não me lembro de ter aguardado um verão, ou uma primavera, que seja.
Desde criança eu observo com inquietude o movimento das estações.

Gosto de imaginar que tudo começa na primavera. A cidade fica pintada de amarelo, rosa e branco, graças ao sem número de Ypês, vincas, azaleias e margaridas que povoam a cidade.

No verão, por incrível que pareça, tudo fica mais colorido. Junto do vermelho e amarelo das caliandras e hibiscos e das estrelítzias, a cidade fica pintada em vários tons de roxo, graças aos jambolões e amoras que pintam as calçadas.

No outono, como a névoa branca que pinta o céu, o tapete de damas da noite colore o asfalto sujo de branco. E por um minuto, essas ruas do subúrbio parecem até mais bonitas.
Perto do fim, o verde vivo se torna laranja.

E num mar de ferrugem vem o inverno.
E no inverno, inverno...
Tudo morre.

Dizem que o inverno faz as pessoas ficarem deprimidas, pensativas, tristonhas.
Eu acho que o inverno traz um pouco do mundo que eu vivo (todos os dias) para a vida de todos ao meu redor.

Quando obriga todas a esconderem seus corpos.
Quando todos se tornam melancólicos e reflexivos.
Quando se perde a diversão em sair e "aproveitar o dia".

Todos sempre lembram da Primavera, o movimento mais famoso d"As Quatro Estações" de Vilvadi.
Eu cresci apaixonado pelo "Inverno".

Espero que ela venha depressa nesse ano.
E que leve muito tempo pra passar.

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