I drown in the hesitation
My words come crashing down
And all my best creations
Burn into the ground
The thought of starting over
Leaves me paralyzed
Alguns não possuem um "lugar" pra voltar. São excluídos já no ato de seu nascimento.
Aqueles pra quem todas as portas foram fechadas. Que vivem de restos e se confundem com ratos, baratas e cachorros. Que por muito pouco podem ser reconhecidos como seres humanos. Os que morrem como indigentes, que com sorte acabam dissecados em uma prancha de universidade.
Outros tiveram um teto. Tiveram oportunidades, uma estrutura familiar (mesmo que precária) e alguma pouca expectativa. Eu me incluo nessa segunda categoria.
Em algum momento da vida, essa pessoas perceberam que seus sonhos, suas aspirações, eram pouco mais que nada. Em dado momento, essas pessoas enxergam quão frágeis são os vínculos que os ligam aos seus semelhantes. E se recolhem, cada dia mais, em seus universos pessoais.
Não quero defender nenhuma corrente de pensamento, nem atacar as pessoas que conseguem viver de forma "feliz". Na verdade, não tenho condições de tecer um julgamento que vá além de mim mesmo.
E é sobre isso que eu decidi escrever hoje. Sobre o quanto me sinto pequeno, miserável e solitário.
Sobre as minhas cada vez maiores fobias sociais.
Já não me lembro desde quando eu não consigo ter coragem pra sair de casa. Só existe um situação onde, de fato, eu desejo me aventurar. Todo o resto é uma reação - quase - instintiva ao movimento dos dias.
A simples ideia de encontrar pessoas, de ter que criar vínculos... me incomoda.
Ao imaginar que terei que passar mais de cinco minutos na companhia de outra pessoa (interagindo, me mostrando, me envolvendo com elas, em qualquer nível) me transtorna de tal maneira...
Depois de tantos anos se esforçando para criar vínculos, você percebe que é preciso pouco mais que algumas palavras para (talvez) rompê-los de forma irreparável.
E com a mesma facilidade com que despedaçam o seu coração, você pode acabar despedaçando alguém...
Mesmo que essa não seja sua vontade. Por que talvez, aquele que te despedaçou também não quisesse fazer isso.
Somos delicados demais pra existirmos aos bandos. Não suportamos a pressão de nossas próprias existências. Como poderíamos suportar a coexistência?
Levantamos todos os dias e encaramos o moedor de carne. Com rostos pálidos como porcelana, batendo os dentes, encaramos a besta de frente, enquanto carregamos o peso do mundo sobre nossos ombros - ombros de vidro.
Voltamos trincados, nos sentindo ainda piores do que quando saímos.
Pra junto junto dos nossos amores - que envenenamos aos poucos, sem querer.
Murchamos um pouco por dia.
Morremos um pouco por dia.
E as vezes matamos alguém.
Eu odeio minha vida.

A sua vida é uma das últimas coisas de bom que restou na minha, Eddie...
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