Nascemos em vales, meu amor
Grandes lacunas, no seio do solo
Entre a enormidade de montanhas
Tão antigas quanto o céu azul
Nascemos em vales, meu amor
De vales metálicos ou de vales d'água
Guardados por infinitas vigias
Donde crescem pinheiros, palmeiras e jacarandás
E como por capricho do destino
Ou quem sabe, vontade do Criador
Os ipês que tingem meu vale de rosa
Também tingem seu Vale do Aço
E não valeria de nada, meu amor
Se entre vias e vales, que vão e vem
Não houvesse um viés de esperança
Que valesse a saudade, esta viciosa
O que nos uniu não vale o céu ou o sol
Não vale todo o Rio Paraíba
Ou as montanhas metálicas das Minas Gerais
Não vale as noites em claro,
Nem o infinitos espaços cruzados
Para resumir a distância - o tempo e o espaço
Em um abraço
O que nos uniu, meu amor
Vale mais
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