sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Sexta Feira



Na periferia
há tantos corações partidos
quanto garrafas vazias

A felicidade industrializada
Pode ser comprada em qualquer balcão
Em forma etílica - aos boêmios
Ou em pequena cápsulas - aos desiludidos.

No centro esquecido por Deus,
Sob toldos - desabrigados se amontoam
Buscando abrigo da chuva de verão
E um pouco da humanidade perdida

Talvez em algum clube
Uma jovem financie a universidade
Vendendo o calor do seu corpo;
Uma trágica boneca quebrada.

Na zona nobre não muda muito
Como o pobre engravatado
Que encontra a esposa em outros braços
Rolando na sala do apartamento.

Em um canto escuro qualquer
Um sub homem arrasta sua vida
Anestesiado por dor e vergonha
Com seu coração de vidro nas mãos.

E não há nada de mais nas marginais
São as mesmas pessoas doentes
De orgulhos quebrados,
Vidas ressecadas e olhos úmidos;

São os mesmos pobres derrotados
Cansados demais para se reerguerem;
Precoces demais em seus dezessete
Idosos demais aos vinte e seis

Por que na periferia
há tantos corações partidos
quanto garrafas vazias...

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