Na periferia
há tantos corações partidos
quanto garrafas vazias
A felicidade industrializada
Pode ser comprada em qualquer balcão
Em forma etílica - aos boêmios
Ou em pequena cápsulas - aos desiludidos.
No centro esquecido por Deus,
Sob toldos - desabrigados se amontoam
Buscando abrigo da chuva de verão
E um pouco da humanidade perdida
Talvez em algum clube
Uma jovem financie a universidade
Vendendo o calor do seu corpo;
Uma trágica boneca quebrada.
Na zona nobre não muda muito
Como o pobre engravatado
Que encontra a esposa em outros braços
Rolando na sala do apartamento.
Em um canto escuro qualquer
Um sub homem arrasta sua vida
Anestesiado por dor e vergonha
Com seu coração de vidro nas mãos.
E não há nada de mais nas marginais
São as mesmas pessoas doentes
De orgulhos quebrados,
Vidas ressecadas e olhos úmidos;
São os mesmos pobres derrotados
Cansados demais para se reerguerem;
Precoces demais em seus dezessete
Idosos demais aos vinte e seis
Por que na periferia
há tantos corações partidos
quanto garrafas vazias...
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